Blog / Terceiros molares (siso) · Atualizado em 22/10/2026
Siso próximo ao nervo: quais são os cuidados?
Alguns dentes do siso apresentam raízes muito próximas ao nervo alveolar inferior. Entenda o que isso significa, quais exames podem ajudar e como é realizado o planejamento cirúrgico.
O que significa ter um siso próximo ao nervo?
Os dentes do siso, também chamados de terceiros molares, são os últimos dentes da arcada dentária. Nos sisos inferiores, uma das estruturas anatômicas importantes para o planejamento cirúrgico é o nervo alveolar inferior.
Esse nervo percorre parte da mandíbula por uma estrutura conhecida como canal mandibular. Ele participa da sensibilidade dos dentes inferiores e, por meio de seus ramos, de regiões como o lábio inferior e o queixo.
Em algumas pessoas, as raízes dos terceiros molares inferiores ficam próximas ao trajeto desse canal.
Essa relação anatômica pode ser observada durante a avaliação dos exames de imagem e merece atenção quando existe indicação de extração.
Entretanto, a proximidade entre o dente e o nervo não significa que exista uma lesão ou que a cirurgia necessariamente provocará alterações de sensibilidade.
O importante é compreender a relação anatômica e considerar seus possíveis impactos no planejamento.
Por que a proximidade com o nervo é importante?
Durante a extração de um terceiro molar inferior, o cirurgião precisa considerar a posição das raízes e sua relação com as estruturas próximas.
Quando existe contato ou proximidade importante com o canal mandibular, determinadas etapas da cirurgia podem apresentar risco de traumatismo ao nervo alveolar inferior.
Uma possível consequência é a alteração de sensibilidade, também chamada de distúrbio neurossensorial.
Essa alteração pode ser percebida como dormência, formigamento ou sensibilidade diferente da habitual na região do lábio inferior e do queixo.
Em alguns casos, a alteração é temporária e apresenta recuperação progressiva. Em outros, pode persistir por períodos prolongados ou tornar-se permanente.
A ocorrência e a evolução dependem de diferentes fatores, incluindo a relação anatômica, as características do procedimento e o tipo de comprometimento nervoso.
Outro nervo importante na cirurgia dos sisos inferiores é o nervo lingual, relacionado à sensibilidade de parte da língua. Ele também deve ser considerado durante o planejamento e a execução do procedimento.
Esses riscos precisam ser discutidos de maneira individualizada, sem presumir que ocorrerão em todos os pacientes.
Como saber se o siso está próximo ao nervo?
A avaliação geralmente começa com o exame clínico e a análise de imagens radiográficas.
A radiografia panorâmica é frequentemente utilizada para observar a posição dos terceiros molares, a formação das raízes e sua relação aparente com o canal mandibular.
Alguns sinais radiográficos podem sugerir uma relação anatômica próxima entre as raízes e o canal.
Entre esses sinais estão alterações na imagem das raízes, mudanças no trajeto aparente do canal e interrupções de suas linhas de delimitação.
Entretanto, a radiografia panorâmica apresenta uma imagem bidimensional de estruturas tridimensionais.
Por esse motivo, uma aparente sobreposição entre as raízes e o canal não confirma, isoladamente, contato direto entre essas estruturas.
Quando existem dúvidas anatômicas relevantes e a informação adicional pode modificar o planejamento, a tomografia computadorizada de feixe cônico pode ser considerada.
O exame permite analisar a região em diferentes planos, oferecendo informações sobre a posição das raízes em relação ao canal mandibular.
É necessário fazer tomografia antes de retirar o siso?
Nem todos os pacientes precisam realizar tomografia computadorizada antes da extração de terceiros molares.
Em muitos casos, a avaliação clínica associada à radiografia panorâmica fornece informações suficientes para o planejamento.
A tomografia pode ser útil quando existem sinais sugestivos de proximidade importante com o canal mandibular e quando seus resultados podem influenciar a decisão clínica ou a técnica cirúrgica.
O exame tridimensional permite avaliar aspectos anatômicos que não podem ser determinados com a mesma precisão em uma imagem bidimensional.
Entretanto, a realização da tomografia não elimina o risco de lesão nervosa.
Além disso, sua indicação deve considerar a necessidade clínica e a exposição à radiação, evitando exames sem justificativa.
O objetivo dos exames complementares é fornecer informações relevantes para a tomada de decisão, e não simplesmente aumentar a quantidade de imagens disponíveis.
O que é coronectomia e quando pode ser considerada?
A coronectomia é uma técnica cirúrgica que pode ser considerada em situações selecionadas, especialmente quando existe relação anatômica próxima entre as raízes de um terceiro molar inferior e o nervo alveolar inferior.
Diferentemente da extração completa, a coronectomia consiste na remoção da coroa dentária, com manutenção planejada das raízes no osso.
O objetivo é evitar a manipulação direta de raízes cuja remoção poderia representar maior risco de comprometimento nervoso.
Entretanto, a técnica não é indicada para todos os casos.
O profissional precisa avaliar fatores como as condições do dente, a presença de alterações patológicas, a mobilidade das raízes e a possibilidade de acompanhamento posterior.
Após a coronectomia, as raízes mantidas podem apresentar movimentação ao longo do tempo. Em determinadas situações, pode ser necessária uma nova intervenção.
Também existem riscos de complicações, como infecção e alterações de cicatrização.
Por isso, a coronectomia não deve ser interpretada como uma técnica isenta de riscos, mas como uma alternativa que pode integrar o planejamento de casos selecionados.
Um siso próximo ao nervo precisa ser removido?
Não necessariamente. A proximidade anatômica com o nervo alveolar inferior não constitui, isoladamente, uma indicação de extração.
Antes de decidir pela cirurgia, é necessário avaliar se existem problemas associados ao terceiro molar.
Entre as situações que podem justificar a remoção estão infecções recorrentes, cáries, alterações periodontais, comprometimento do segundo molar e determinadas lesões patológicas.
Quando o dente não apresenta sintomas ou alterações relevantes, o acompanhamento pode ser considerado conforme as características clínicas.
Se a extração estiver indicada, o planejamento deve avaliar os benefícios esperados, os riscos anatômicos e as alternativas disponíveis.
Em algumas situações, a remoção completa pode ser apropriada. Em outras, técnicas alternativas ou acompanhamento podem ser discutidos.
A decisão deve ser compartilhada com o paciente, considerando suas condições de saúde e as particularidades do caso.
Perguntas frequentes
O siso encostado no nervo pode ser retirado?
Em determinadas situações, sim. A possibilidade de extração depende da indicação clínica, da relação anatômica e dos riscos envolvidos. O planejamento pode incluir diferentes abordagens cirúrgicas.
Retirar o siso pode causar dormência no lábio?
Alterações de sensibilidade podem ocorrer quando existe comprometimento do nervo alveolar inferior. Algumas são temporárias, enquanto outras podem persistir. O risco deve ser avaliado individualmente.
A tomografia evita lesões no nervo durante a cirurgia?
Não. A tomografia pode fornecer informações anatômicas importantes para o planejamento, mas não elimina a possibilidade de complicações. Sua indicação depende da necessidade clínica.
O que acontece com as raízes após uma coronectomia?
As raízes são mantidas intencionalmente no osso. Elas podem permanecer estáveis ou apresentar movimentação ao longo do tempo. O acompanhamento é importante, e alguns casos podem exigir nova intervenção.
A importância de um planejamento individualizado
A proximidade entre o siso e o nervo alveolar inferior exige uma avaliação cuidadosa, mas não significa que a extração seja obrigatória ou que haverá uma complicação.
O Dr. Lucas Daniel, cirurgião bucomaxilofacial com especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, realiza avaliações de terceiros molares em seu consultório na Avenida Paulista, em São Paulo.
Se você tem dúvidas sobre a posição dos seus sisos ou sobre os exames necessários para o planejamento, pode conversar pelo WhatsApp do consultório para obter informações sobre o agendamento de uma avaliação.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação odontológica presencial.